Meu Vício - Kell Teixeira #1

Resenha - Meu Vício #1

Título: Meu Vício (#1 da Duologia Meu Vício)
Autora: Kell Teixeira
Nº de páginas: 387
Editora: Bezz
Ano: 2015

Sinopse: Elena Tyner é uma garota comum de dezenove anos que cursa psicologia. Devido a uma criação tradicional, assim como a sociedade em sua maioria, ela possui preceitos e preconceitos contra usuários de drogas, passando até ter repúdio pelos mesmos. Mas tudo muda quando ela faz uma entrevista com um usuário, se envolve e passa a ver o outro lado da história.
Nesse drama é relatado de forma clara e espontânea a amarga experiência que é conviver, amar, e presenciar uma pessoa entregar sua vida para as drogas... Um caminho obscuro e muitas vezes sem volta...
Falar sobre dependência química é muito forte, muito atual e de suma importância. Mostrar todo sofrimento do dependente e de todos ao redor de forma tão realista e interessante, faz com que a gente vivencie o sofrimento junto com Maycon e Elena. E sinta o amor surgindo no meio das trevas, da dúvida. Um amor puro e sincero, porém não aceito

No começo eu já tinha recomendações desse livro. Meio que deixei de lado, mas decidi me aprofundar. Fui ler, tive um papo legal com a autora. Tirei minhas dúvidas, soube um pouco da história do livro. E lá fui eu me embarcar, conhecer Maycon e Elena.

A história de Kell Teixeira é impressionante, aliás, muito envolvente e algo que não deixa nada de fora, porque a autora soube como desenvolver a história, não só a história, mas seus personagens. Eles  vão se transformando, passam a se tornarem tão reais e tudo que os envolve se torna uma realidade, que é possível de rolar, de acontecer na realidade. Todos os personagens são muito intensos, algo marcante e forte, fazendo predominar como ponto alto no livro.

Então vamos lá, falar dos personagens, a começar por nosso ponto de referência. O cara que dá um sentindo para todo livro: Maycon... uma frase que o resume - Ela o ama, ele... Bom, ele ama a cocaína...

O cara é famoso, dono do pedaço. De um pedaço difícil. O livro não vai poupar detalhes dele. Maycon tem um lado escuro, um lado que ele nunca aceitaria ser mudado, mas o "nunca" passa a se chama, Elena.

O lado escuro de Maycon é realmente um tanto feio, e nada certo. Um viciado em cocaína. Maycon chega a extremos realmente assustadores e perturbadores por ela. Mesmo assim, tem uma vida, uma vida que parece normal. Um cara que não nega nada, envolto em uma fumaça negra, uma áurea "negra" pelo seu vício. Arrogante, consegue tudo que quer, irônico, sarcástico e esquentado.

Coisa que Elena passa a conhecer...

Mas como saber onde tudo começou? Talvez em uma noite chuvosa, procurando respostas para um trabalho. O tema? "Drogas". Elena já mostra de cara sua opinião com relação às drogas.. A mocinha que sonha, que quer crescer na vida. Eu passei realmente a acreditar nela, ela se mostrou forte e independente. Determinada e uma garota corajosa. Eu odiei ela por alguns pontos de vista, mas amei ela por outros. Admirei tudo que ela conseguiu. Mas a partir do momento que as palavras de Maycon anotadas em sua agenda, respondendo as perguntas de seu trabalho. Tudo muda... Bom, olhe e veja:

      "Já tentou ou tem a intenção de parar?
            Não. Quero morrer usando coca."

Ela fica com aquilo na cabeça. Aquilo faz algo surgir. E quando ela se da conta, está conversando com o mesmo que lhe deu a entrevista. Okay, entenda que o primeiro encontro foi feito, isso é o básico, e vou parar por aqui. O que vai levar a história vai ser como o livro vai rolar.

No meio disso surge o cara interessando na garota, surge a afronta dos dois lados. Maycon se mostra irônico, e essa ironia é fantástica, confesso que quis ficar com raiva. Mas ele satiriza toda a desgraça:

       " ... o cara me perguntou: Por que acha que está aqui? Falei que não sabia. Perguntou se usava narcóticos. Disse que não. Aí, ele me deu uma idéia federal, disse que a coca acaba com cérebro, coração, vasos sanguíneos, danos irreversíveis. Na época, eu não bebia muito, aí pra não rolar discriminação, decidi não deixar os rins, fígado e pulmões de fora... "

Algumas ironias dele me fizeram rir, outras me fez pensar o quanto idiota ele estava sendo. E quando tudo fica tudo claro para Elena, bom, aí já era! Em certo ponto, quando ambos ficam juntos, então as coisas realmente começam a acontecer. E não é algo fácil, não com Maycon.

Uma coisa que quero dizer e falar e que tem impacto é a maneira como a droga é citada. Não tem menos, tem mais, não há a diminuição de nada. A autora pois, palavra por palavra. Não teve medo de dizer a real sobre a cocaína, não só a cocaína, mas a realidade de um usuário:

            "— Injeta sempre?
      — Na verdade não, mas você parece ficar incomodada quando eu cheiro. Por isso acho menos incomodo pra você eu injetar.
          Fico sem palavras.
           — Dilui com água?
           Ele sorri:
        — Não, limão ou vinagre, o efeito é mais intenso. As vezes, no sangue, depende da necessidade. "

Em um determinado momento do livro, suas personalidades vão dominar de tal forma a narrativa, que você sente exatamente o que Elena está sentindo. E é com esses sentimentos, onde tudo acontece que surge o amor, e acho que essa é a melhor parte. Mostrou que o amor magoa, quebra a sua cara mil vezes. E nesse ponto não vou reclamar, Maycon ama, a ama com vontade. Mas divide isso com seu vício, com o prazer que tem em cheirar.

Maycon não está disposto a mudar, mas quando passa a ter a relação que tem com Elena, tudo muda. Ele fica imune, mas isso não tira a cocaína da jogada. Mas ele passa a ter atitudes diferentes. Por que isso? Porque ele faz de tudo para ter a mulher que ama ao seu lado, mas ao mesmo tempo luta com a fissura.

Tenho que não só dar os parabéns, mas aplaudir a autora pela a incrível capacidade de deixar seus personagens tão reais, tão reais a ponto de amá-los em um momento e querer matá-los em outro. Keven, Jayde, os pais de Maycon, de Elena. Todos foram minuciosamente criando. Poderia dizer que amei todos, amei, só não gostei da atitude de alguns, atitudes que vão dar entendimento. Vai mostrar a parte do escuro, como se formou.

Recaídas dele vão acontecer, mesmo assim ele vai tentar sair da cocaína. Reabilitação vai acontecer. Ambos se tornam um só, dependente um do outro. Mas pra Maycon torna difícil, mesmo lutando, há a fuga da realidade através da cocaína.

Maycon quebra sua garota por isso, de formas grosseiras, Elena se vê determinada a sair, desistir dele. Mas Maycon não deixa, seus sinais de carência surgem, para que ela o aceite de volta. Liguei essa atitude dele a tantas coisas, até na vida pessoal. Homens!

Maycon continua. Elena passa a se sentir indefesa, sem estabilidade... E pra ela não estava fácil querer, desejar, amar um cara complicando como ele. Essas duas personalidades quase transforma tudo em tragédia e derrota. Uma batalha perdida tanto para o amor como para a droga...

Considero Meu vício um tanto polêmico. Me vi sendo hipócrita. Muita gente pode amar pelo fato de ser uma história diferente, um romance diferente dentre os outros, e vai se entregar a trama. Ao relacionamento conturbado e tenso. Gostei da forma como a autora me prendeu, eu não sabia o que iria encontrar, mas no fim. Ficou claro que eu sabia o que encontrei.

Posso ter uma certeza, assim como eu, você irá ter uma fascinação, uma gama de sentimentos incríveis, do início ao fim. Não é apenas para ler, é um livro para parar e pensar, refletir. Tire suas conclusões, sendo precipitadas ou não, depois me diga o que achou. Me diga se já foi hipócrita ou não, se julgou mal. Se pensou que seria açúcar, e no final acabou sendo bem ácido. Mas aquele ácido que te marca, marca muitoooo!

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